Editorial

A sociedade brasileira tem assistido, estarrecida e impotente, ao avanço da violência nos grandes e pequenos centros do país. Facções criminosas, milícias, bandidagem em geral tomam as ruas, as casas, violentam, torturam e matam.

Todo dia as mídias têm um novo caso (muitas vezes repetidos incansavelmente pelos canais de TV em busca de audiência) e cada dia vamos sendo informados de assaltos onde a vítima, mesmo não reagindo, é torturada e morta. O mais recente foi o da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, queimada viva porque tinha somente 30 reais na conta bancária.

Os crimes, na maioria, são assumidos por menores de 18 anos, embora saibamos que nem sempre foi o menor que praticou a barbárie. A sociedade indignada pede mudanças na lei da maioridade penal. Os argumentos são muitos; atualmente, aos 12, 14, 15, 16 anos, crianças e adolescentes têm mais informações. Muitos já têm vida sexual ativa, são pais precoces, trilham o caminho das drogas, associam-se a quadrilhas (ou são usados por elas).

Houve uma inversão de valores: há algumas décadas, crianças e adolescentes estudavam com as idades já citadas, e a maioria também trabalhava, para garantir o sustento da família. Os que enveredavam por caminhos tortos eram poucos.

As mudanças ocorridas nas últimas décadas, expondo todos num consumismo desenfreado, é um dos fatores, talvez, pelo crescimento da violência. Mas o descaso com a educação, a pouca valorização do estudo, a corrupção que desgraça o país, ainda são fatores responsáveis pela insanidade a que estamos expostos no dia-a-dia.