Editorial

Pergunta que não quer calar: por que o poder público, que autoriza e fiscaliza as condições dos estabelecimentos onde se aglomeram muitas pessoas para eventos de quaisquer natureza não viu as precárias condições da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), segundo divulgado exaustivamente na mídia?

Por que o poder público, que autoriza e fiscaliza, não cumpriu o seu dever antes que mais de 200 jovens fossem arrancados de seus pais, de seus avós, namoradas, namorados, amigos, enfim, fossem assassinados como se a boate fosse um campo de extermínio?

Não só Santa Maria, não só o Brasil, mas o mundo ficou estarrecido com o que está sendo constatado após a tragédia. Não havia portas de emergência, não havia iluminadores indicando a rota de fuga em caso de urgência. Objetos perigosos como o sinalizador utilizado pela banda são proibidos em locais como a boate, no entanto, o poder público, que fiscaliza e autoriza, não viu.

Não se pode falar em fatalidade. Pode-se falar em negligência. Dos donos da boate, dos músicos da banda e do poder público, que autoriza e fiscaliza, mas que não viu ou fez ‘vistas grossas’ quando fiscalizou.

À tragédia de Santa Maria, que ceifou vidas que poderiam contribuir para mudar os destinos do país, não cabe a palavra fatalidade. Cabe melhor a palavra descaso, descompromisso do poder público, que autoriza e fiscaliza, com a vida dos cidadãos.

Quantos pais e familiares não estão apreensivos com a chegada do Carnaval, quando os jovens buscam lugares como a boate Kiss para se divertirem? Quantos voltarão vivos para o convívio com os familiares e amigos.

É preciso que o poder público que fiscaliza e autoriza o funcionamento de instituições que abrigam pessoas (igrejas, escolas, boates, clubes, salões de baile e outros) cumpra o seu dever. É o mínimo que se espera das autoridades constituídas e dos órgãos competentes da Federação, do Estado e do Município.