Português – escreva e fale corretamente

Para que servem os pronomes?

Enquanto os nomes (substantivos) têm relação direta com os seres do mundo exterior, os pronomes têm um papel decisivo no interior da própria língua. São eles que substituem, acompanham e retomam os nomes, expressam formas sociais de tratar o interlocutor e marcam posição em relação às pessoas do discurso. Os pronomes também são fundamentais para que um texto não seja um punhado de frases soltas, contribuindo para estabelecer coerência e coesão entre elas.

Existem seis grupos de pronomes: os pessoais; os possessivos; os demonstrativos; os indefinidos; os interrogativos e os relativos.

Toda vez que fazemos uso do discurso verbal, há três pessoas envolvidas na situação comunicativa: o locutor (quem fala) que é a primeira pessoa do discurso; o locutário (com quem se fala), a segunda pessoa do discurso; o assunto (de quem ou de que o locutor fala), que é a terceira pessoa do discurso.

Os pronomes pessoais tradicionalmente são organizados em pessoas gramaticais: 1ª pessoa do singular – eu; 2ª pessoa do singular – tu; 3ª pessoa do singular – ele/ela. Primeira pessoa do plural – nós; segunda pessoa do plural – vós; terceira pessoa do plural – eles/elas. São os chamados pronomes pessoais retos.

A eles correspondem os pronomes oblíquos: eu – me, mim, comigo; tu – te, ti, contigo; ele/ela – o, a, lhe, se, si, consigo; nós – nos, conosco; vós – vos, convosco; eles/elas – os, as, lhes, se, si, consigo.

Tu ou você?

Na variedade padrão da língua, os pronomes tu e você são igualmente bem-aceitos. Contudo, como esses pronomes são de pessoas gramaticais diferentes – tu é de 2ª pessoa e você de 3ª pessoa -, alguns gramáticos recomendam que o falante escolha uma das formas e utilize-a com exclusividade. Ou seja, que evite a mistura da 2ª com a 3ª pessoa.

Na fala das pessoas, essa mistura ocorre naturalmente. Porém, em situações em que o uso da língua esteja sendo avaliado, convém observar a recomendação dos gramáticos.

Vossa mercê > vosmecê > vancê > você

O pronome de tratamento você se origina de Vossa Mercê, hoje em desuso. Porém, antes de chegar a essa forma simplificada, passou por vosmecê, forma que ainda pode ser encontrada em algumas regiões do país. Veja nos versos da canção “Estrada do sertão”, de João Pernambuco e Hermínio de Carvalho, a presença de três formas de tratamento, entre elas vosmecê: “Pousa aqui meu colibri / Vê se tu tem pena d’eu /Quero ser teu bacuri / Quero ser de vosmicê / Quando ocê desfeiteia / Me despreza / Mais me arrasto pra você”.