Editorial

As manifestações que estão ocorrendo em todo país vão muito além do aumento de R$0,20 na tarifa dos transportes públicos. Cartazes já apregoam: “Não são os 20 centavos”!

Temos presenciado um colapso generalizado no Brasil: há problemas com portos, aeroportos, transporte público, saúde, educação, segurança. Nosso país não é um país pobre, mas as taxas  são extremamente altas. É contraditório uma infraestrutura tão ruim quanto há tanta riqueza altamente taxada.

Nas grandes cidades perdemos mais de quatro horas por dia no tráfego, tanto nos automóveis quanto no transporte público (sempre lotado), que é de péssima qualidade.

A corrupção corre solta em todos os escalões políticos do país e os escândalos ocupam diariamente as mídias. Vários deles permanecem sem julgamento e os que são julgados tendem a terminar com a absolvição dos réus. O maior escândalo de corrupção da história do Brasil, o mensalão, terminou com a condenação dos réus… No entanto, o governo está tentando reverter o julgamento usando de manobras através de emendas constitucionais inacreditáveis. Uma, o PEC 37, que vai aniquilar os poderes investigativos dos promotores do ministério público, deixando a responsabilidade inteiramente à Polícia Federal. E tem mais: outra proposta é a de submeter as decisões da Suprema Corte Brasileira ao Congresso, uma completa violação dos três poderes.

São estas, de fato, a revolta do povo brasileiro. As manifestações não são atos isolados ou badernas de extrema esquerda.

“Pode ser a gota d’água”, como diz a música do poeta Chico Buarque de Hollanda. O aumento do transporte foi isso: a gota d’água que fez transbordar a revolta do povo brasileiro.