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Editorial

Assistindo aos noticiários na TV ou lendo em jornais e revistas a cobertura da morte de Michael Jackson tem-se a medida exata do poder da mídia nos tempos atuais. A simultaneidade das informações tornou o mundo realmente uma ‘aldeia global’, como profetizou Marshall MacLuhan, nos anos 1970.


Acontecimentos que causam grande comoção são exaustivamente exibidos pelos meios de comunicação por dias e semanas, até que outro de maior proporção ou mais impactante tome o lugar do anterior. Exemplos há, e muitos. Só para lembrar alguns: os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, o assassinato de Jean Charles em Londres, enchentes, terremotos, tsunamis...


Pela TV assistimos impotentes à morte de Airton Senna, dos Mamonas Assassinas, os últimos acidentes aéreos, as tragédias das enchentes em Santa Catarina. Solidarizamo-nos com as pessoas atingidas, mesmo sem conhecê-las. Formamos, assim, uma ‘grande família’, irmanados muito mais pela tragédia, por acontecimentos funestos.


Pela TV, jornais e revistas também somos informados dos grandes escândalos do cenário político brasileiro: mensalões, construções megalomaníacas de políticos (fazem lembrar muito o ditado “quem nunca comeu mel, quando come se lambuza”!), presidentes de senado envolvidos em negociações ilícitas...


Assim como nos comovem as tragédias mundiais que cotidianamente assistimos ou lemos, nos deixam indignados os escândalos nacionais...


Como a morte de Michael Jackson já deixou de dar Ibope na mídia, as manchetes diminuíram e o ídolo talvez possa finalmente, descansar em paz.


Quanto a nós, são tantos os escândalos, que já estamos ficando calejados e aceitando as safadezas dos nossos políticos como normais.


Qual o último grande escândalo mesmo?